Eu comecei a conviver com ele quando Vivaldo estava cursando a 6ª série. Não me lembro que tenhamos dito algum atrito que nos afastasse. Sempre quieto, muitas vezes com um sorriso tipo garoto-moleque, esperto mas sem malícia, do bem como diria Didi. À sua companhia estava Viviane, sua inseparável irmã, cúmplice, companheira, amiga, um anjo dele. Desde aquela época, 2010, Viviane se tornara minha monitora. E Vivaldo junto. Assim se passaram os anos, as séries.
Como de costume, na Oitava série, chamo os discentes pelo sobrenome. Viviane começou a ser Argolo e Vivaldo, Filho. Isso às vezes gerava uma resenha da parte do irmão de Viviane que dizia "Pai, cadê a mesada?" Mas no final do ano passado, na Oitava, começaram suas dores, exames, viagens e muitos remédios.
No início deste ano, durante a jornada pedagógica falamos e ouvimos sobre ele, como estava. Os dias foram se passando, a vida impõe certos ritmos. Nos acostumamos (sem querer) a esperá-lo para estudar o Ensino Médio ao lado de sua irmã, mas nada. E Argolo, Viviane, ali com sua singeleza e alegria possível, às vezes tristonha, no entanto, nunca se valeu disso para não ser competente e brilhante.
Eram gêmeos? Vejam para falar de um, falo do outro. Deus sabe de todas as coisas. Tinham que ser irmãos. Um completava o outro. Fazíamos muita resenha com essa cumplicidade Viviane-Vivaldo. Olhar para um, era ver, de certa forma, o outro.
Agora, no dia seis de maio, pelo Facebook, soube do que não queria. Filho não estava mais entre nós, não voltaria, não continuaríamos as resenhas suspensas pela situação. Dia sete. Dia do silêncio, fiquei sabendo por Soraya. Velado, no seio da família e da igreja. Louvores a Deus. Tristeza entre nós. Velado e sepultado. Silêncio.
Para a maioria a rotina toma rumos mais amenos, mas para quem a rotina é lembrança. Agora é dia das mães, 00h00. Pois é...que Deus console a mãe do Filho. Foi-se Vivaldo e a escola fica sem ele e Viviane.
E a fé? Nunca o vi se queixar. E a elegância? Olha a foto, ela diz por si.
Abraços e paz a todos nós.